Macapá
Vista aérea da frente de Macapá
Capítal do Amapá, e primeiro municipio a ser criado. O vocábulo Macapá é de origem tupi. E é uma variação de macapaba, que na língua dos índios quer dizer estância das macabas ou lugar de abundância da bacaba.
Bacaba é um fruto gorduroso originário da bacabeira, palmeira nativa da região de onde se extrai um vinho de cor acinzentada, muito saboroso. A bacabeira tem o tronco solteiro, liso, que cresce até 20 metros de altura e é marcado por anéis correspondentes às cicatrizes. Suas folhas são pinadas, crespadas e medem de 4 a 6 metros de comprimento. Possui também uma bainha verde-escura, que mede cerca de um metro de altura, formando a região colunar no ápice da estípite. Seus ramos são foliados (cerca de cem), de ambos os lados da folha, mais ou menos pendular, medindo de 30 a 100 cm de comprimento. Possui flores unissexuadas, geralmente uma feminina para duas masculinas, inseridas em toda a extensão do ramo do apódice. Apresenta cachos robustos (cerca de 1,5 metros de comprimento) com frutos arredondados de 1,5 cm de diâmetro; casca de cor roxo-escura (quase preta) e fruto de aspecto oleoso. Tem como habitat ideal a mata virgem alta de terra firme e também de várzea.
Utilizando-se do mesmo processo aplicado para a obtenção do açaí, prepara-se o vinho da bacaba, que é consumido, comumente, com farinha de mandioca e açúcar. Trata-se de um vinho de agradável sabor, porém, com teor oleaginoso bastante elevado o que faz com que se recomende comedimento no seu consumo. Este óleo, dito semelhante ao de oliva, pode ser separado do vinho por processo artesanal e é utilizado geralmente em frituras.
Aspectos Gerais:
• Localização: o município de Macapá, localiza-se na região Sudeste do Estado, estendendo-se, da margem esquerda do Rio Amazonas (entre os rios Pedreira, Matapi e litoral atlântico) até a nascente do Rio Maruanum. É cortado pela linha do Equador e sua altitude é de 16.48m (sede).
• Área: a área do município de Macapá é de 6.562,41
• Limites: limita-se com os municípios de Santana, Itaubal, Porto Grande, Ferreira Gomes, Cutias e Amapá.
• População:
Segundo o IBGE (2006), a população da capital do Estado do Amapá é de 368.367 habitantes.
• Densidade Demográfica: 39,02 habitantes por Km2.
Divisão politica
O municipio possui as seguintes localidades: Bailique (arquipelago e distrito, composto de várias comunidades como Junco, Franco Grande, Parazinho, Ponta Curuá, Ponta Esperança, Vila Macedônia, Vila Progresso, ), Campina Grande, Carapanatuba, Curiaú (distrito), Fazendinha,
• Divisões fisiográficas:
O relevo é de formação rochosa, com grande potencial turístico e, pode ser verificado principalmente no percurso Macapá/Serra do Navio, trajeto que pode ser feito tanto por via rodoviária quanto ferroviária. Em ambos, oportuniza ao viajante apreciar as belas paisagens amapaenses, formadas pelo contraste de cerrados e florestas, cortadas por vários rios e igarapés.
• Hidrografia: É bastante diversificada, caracterizada por rios, igarapés, furos, ilhas e cachoeiras. Os mais importantes são:
a) rio Amazonas - passa em frente à cidade de Macapá, além de ser um dos seus cartões postais, é um dos maiores rios pesqueiros do mundo, constituindo-se de grande importância para a navegação local, brasileira e internacional.
b) rio Araguari – desemboca no rio Amazonas, é onde há a maior concentração de cachoeiras do Estado do Amapá. Contam-se 36 somente nele. A principal é a cachoeira do paredão. Devido ao seu grande volume de água, foi escolhida para a construção da usina Hidrelétrica Coaracy Nunes.
c) rio Pedreira – tem importância histórica, pois dele foram retiradas as pedras para a construção da Fortaleza de São José de Macapá.
d) igarapé da Fortaleza – é um dos mais importantes pois separa o município de Macapá do município de Santana.
e) lagoas – as mais importantes são: Lagoa dos Índios e Lago do Curiaú. Em ambos há diversas espécies de peixes.
• Ilhas: as mais importantes são: ilha do Bailique, Curuá, Brigue e Pedreiras.
• Clima: o clima do Município de Macapá é equatorial quente-úmido.
• Temperatura: a máxima é de 32,6º e a mínima 20º graus centígrados.
• Precipitação: as chuvas ocorrem nos meses de dezembro a agosto, não chegando a atingir 3.000mm. A estação das secas inicia no mês de setembro e vai até meados de dezembro, quando se registram temperaturas mais altas.
• Economia:
No setor primário sobressaem-se as criações de gado bovino, bubalino (com maior representatividade) e suíno; avicultura; pesca artesanal (dourada, piramutaba, pescada, tamuatá, traíra, jiju, pratinha, acará, matupiri, jandiá, sarapó, anunjá, oeua, tucunaré, etc) e a pesca do camarão. O açaí é outro produto que, embora ainda em fase de experimentação, está gerando renda para o município. Há pela cidade inúmeros pontos de venda do produto, que além de se constituir alimento básico para a população local, vem sendo exportado para outros estados e até mesmo para alguns países estrangeiros.
Desenvolvendo o setor secundário, há diversas fábricas de tijolos, engarrafamento de refrigerantes (coca-cola); industrialização de sucos, palmitos de açaí (Flórida do Bailique); padarias, vários jornais e movelarias. Aliás, o setor moveleiro vem oportunizando centenas de empregos na capital.
Entretanto, o setor terciário, que inclui a administração pública, apesar de não ser mais o maior empregador, ainda é o maior responsável pelo dinheiro que circula no Estado, movimentando vários segmentos da economia amapaense.
Quanto ao setor terciário, apresenta números positivos, principalmente com relação à oportunidade de emprego. Além do serviço público, a cidade dispõe de bares, boates, restaurantes, cinemas, hotéis, motéis, empresas de vigilância, limpeza e conservação, escritórios de contabilidade, advocacia, bancos e serviços de telecomunicações (correios, empresas de telefonia) que cada vez absorvem a mão-de-obra local.
A industrialização (setor secundário) do município de Macapá desenvolve-se lentamente, em função de alguns problemas que se avolumam tais como:
- incapacidade de oferta de energia elétrica necessária ao funcionamento de máquinas pesadas, dificuldades de transporte; distância dos grandes centros consumidores e, sobretudo, presença forte de Belém e Manaus, que já dispõem de parques industriais instalados.
O comércio é o setor mais promissor, hoje, no Estado do Amapá, haja vista a implantação da Área de Livre Comércio de Macapá e Santana – ALCMS. Alguns noticiários afirmam que vem despontando como uma das alternativas na geração de empregos.
Em Macapá, hoje são encontrados produtos importados de todas as partes do mundo. As lojas especializadas concentram-se no centro da cidade, e oferecem produtos de excelente qualidade: videocassetes, televisores, computadores, disc-lasers, equipamentos de som, wallkman, filmadoras, material fotográfico, ventiladores, confecções, brinquedos eletrônicos, produtos de beleza, perfumes, artigos esportivos, relógios, óculos, jóias, enfim, uma imensa gama de produtos.
• Saúde: comparado ao dos outros municípios, o fator Saúde em Macapá é bastante valorizado. A população conta com hospitais, pronto-socorros, postos médicos (mantidos pelos governos do Estado e do Município), equipamentos modernos, além de clínicas e laboratórios da iniciativa privada com atendimento e aparelhos bastante sofisticados.
Contudo, a saúde do município ou mais especificamente do Estado, é ainda um dos grandes problemas que afligem ao governo e à população. Principalmente por falta de atendimento adequado nos Postos Médicos e Hospitais, aliado à escassez de remédios e à indisponibilidade de alguns equipamentos.
A bem da verdade, a situação não difere muito da que se vivenciava noutros tempos. Vive melhor quem dispõe de recursos para pagar planos de saúde privados ou tem condição de se dirigir a outros centros. À maioria, resta mesmo ficar sem assistência.
• Saneamento: ao menos nos centros urbanos, o saneamento básico está dentro dos níveis permitidos. Boa parte da população pode dispor de água potável e esgoto sanitário. Há energia elétrica, fornecida também por companhia estatal para a maioria da população. Contudo, talvez por que não haja concorrência, os serviços ainda apresentam deficiências, principalmente no que tange ao fornecimento de energia. Com relação à pavimentação, centenas de ruas e avenidas da capital receberam o benefício. Entretanto, há ainda muitos pontos críticos que merecem ser saneados.
• Habitação: nos centros urbanos, há predomínio de casas de alvenaria, enquanto que nas periferias a maioria é construída de madeira.
• Transporte: é o mais assistido do Estado do Amapá. Há o rodoviário, constituído por empresas de ônibus, táxis, moto-táxis; ferroviário; marítimo e aéreo (Aeroporto Internacional de Macapá).
• Comunicação: correios, companhias telefônicas, emissoras de rádio, televisão, jornais.
• Educação: há diversas escolas públicas municipais e estaduais em Macapá, com ensino que vai do pré-escolar ao nível médio, além de inúmeras escolas particulares. Quanto ao nível superior a cidade dispõe apenas de dois centros: a Universidade Federal do Amapá – UNIFAP, assistida pelo Governo Federal e a Centro de Ensino Superior do Amapá – CEAP de propriedade particular.
2.1.3 – Pontos Turísticos e Culturais
1. Lagoa dos Índios - localizada na Rodovia Duque de Caxias, a lagoa dos índios é o habitat natural de garças e várias espécies de peixes como: acará, tamuatá, jiju, tucunaré. Traíra, jandiá, anujá, matupiri, pratinhas, sarapó, etc. Completa a paisagem da lagoa, uma belíssima manada de búfalos.
A lagoa dos índios, apesar de sofrer com as constantes ações de pessoas desinformadas que nela jogam detritos e lixos, é beneficiada pela presença natural de uma planta chamada aguapé, que retira e filtra as impurezas das águas, mantendo-a sempre límpida.
2. Curiaú - a comunidade do Curiaú, fica em uma região próxima do núcleo urbano de Macapá. Sua população é formada predominantemente de negros descendentes de escravos africanos. Trata-se, na verdade, de um núcleo composto por cinco comunidades: Curiaú de dentro, Curiaú de fora, Casa Grande, Curralinho e Mocambo, que procuram manter-se fiéis às tradições, principalmente quanto às festas, danças, culinária e crenças religiosas.
O Curiaú é dotado de excepcional beleza, graças à paisagem natural que ostenta: lagos, florestas e savanas.
A população que lá reside, sobrevive basicamente dos produtos extraídos da natureza: agricultura – cultivo de arroz, banana, abacaxi, cana-de-açúcar, etc, pecuária – criação do gado bubalino e outras criações domésticas (aves) e pesca.
A estrutura social da vila é constituída por habitações simples, em sua maioria de madeira, em estilo arcaico.
Para evitar a invasão de terras, ocupação desordenada dos recursos naturais, pesca predatória e despejo de detritos em lugares inadequados, o governo estadual decidiu transformar a região em Área de Proteção Ambiental (APA), o que abrange as terras da comunidade em áreas de entorno, num total de 23.000 hectares.
O Curiaú constitui uma das raras comunidades negras existentes no país.
3. Rio Amazonas - nasce nos Andes Peruanos, com o nome de Solimões, até receber o Rio Negro em Manaus, quando passa a denominar-se Amazonas. Tem sua foz no litoral norte brasileiro, onde descarrega o maior volume de água doce no oceano Atlântico. Durante o seu percurso, o rio transporta muitos sedimentos, que deram origens a diversas ilhas em sua foz, como a Ilha do Marajó, com 48 mil Km2, que é a maior ilha fluvial marinha do mundo em contato com o oceano. Há também as Ilhas Cavianas e Mexiana, dentre outras. A foz do rio Amazonas é mista: delta estuário.
4. Parque Zoobotânico - oferece aos visitantes, mostra variada da fauna amazônica, representada por onças, antas, capivaras, veados, macacos, jacarés, jabutis, aves (jaburu), pássaros, peixe boi, dentre outras.
5. Casa do Artesão - está situada na Avenida Azarias Neto, na frente da cidade. Lá se encontra o melhor do artesanato amapaense, destacando-se os objetos em madeira; artigos em vime; objetos de cerâmica revestidos com pó de manganês, além de trabalhos em papel reciclado e artefatos indígenas.
6. Praia do Araxá - estruturada com barracas onde se vendem lanches, comidas típicas e bebidas, além de se poder ouvir uma excelente música ao vivo. A praia do Araxá fica em um complexo totalmente reformado e reestruturado para o lazer da população e dos turistas. A área compreende, inclusive, quadras de esportes e, ainda, amplo estacionamento.
7. Trapiche Eliézer Levy: construído na frente da cidade, totalmente refeito em concreto puro, com 366 metros de comprimento (74 metros a menos do que o anterior), o trapiche conta com uma loja de souvenir e um bondinho para o lazer do público infanto-juvenil.
8. Sambódromo: construído com a finalidade de servir de oficina de artes populares: dança, música, cozinha regional, artesanato, fabricação de bonecos e adereços, planejamento de carnaval e outros), o sambódromo é mais uma das opções culturais da cidade.
9. Praças:
- Isaac Zagury – com magnífica vista para o Rio Amazonas, Fortaleza de São José de Macapá e Trapiche Eliezer Levy.
- Veiga Cabral – em frente à igreja de São José de Macapá.
- Barão do Rio Branco – em frente à residência do governador, totalmente arborizada.
- Floriano Peixoto – originalmente construída em uma lagoa natural, a praça contava com lanchonetes, sorveterias e bares, sendo considerada a mais bela praça do Estado do Amapá. Atualmente, porém, encontra-se abandonada.
- Praça da Bandeira – área pavimentada, arborizada, em frente ao Palácio do Governo, fica na principal avenida da cidade.
2.1.4. Curiosidades Turísticas
Foi no município de Macapá que nasceu, em 1854, Francisca Luzia da Silva. Ela trazia em seu corpo as marcas de sua passagem pela escravidão, trabalhava em lavagens de roupas e aprendera a “pegar as crianças” com sua mãe.
Por desenvolver a atividade de parteira, Luzia passou a ser uma das pessoas mais importantes da cidade, tendo ajudado a fazer virem ao mundo centenas de crianças. Luzia, como era chamada, ganhou o título de Mãe Luzia, concedido pelo Prefeito-coronel Coriolano Jucá, por ter sido a parteira de todos os seus filhos.
Pelo seu espírito de solidariedade, Luzia foi a primeira “doutora” da região. Sua sabedoria popular tornou-se a inspiração de poetas, pintores e músicos. O reconhecimento a uma mulher corajosa e solidária, considerada a verdadeira mãe de muitos amapaenses.
Francisca Luzia da Silva morreu no dia 24 de setembro de 1954 e dá nome à maternidade de Macapá.
Na capital, alguns programas são obrigatórios: ir ao monumento do Marco Zero para observar o equinócio, momento exato em que o sol passa de um hemisfério a outro, no mês de março (sul para o norte) e setembro (norte para o sul).
O Marco Zero do Equador dispõe de um moderno prédio arquitetônico, projetado para funcionar com restaurante e salão de recepções; serviços de bar de qualidade; galeria de artes e loja de artesanato. Para completar este cenário, dispõe de elegante relógio de sol em amplo terraço.
A Fortaleza de São José de Macapá, constitui outro monumento militar do Brasil do período colonial, uma verdadeira jóia arquitetônica portuguesa.
O turista pode visitar a Igreja matriz, a construção mais antiga da cidade de Macapá e o complexo de lazer Beira-rio, além de poder desfrutar as delícias do mar nas peixarias do bairro de Santa Inês. Há ainda à disposição, excelente estrutura das Praias do Araxá e da praia de Fazendinha. No mês de setembro, a atração fica por conta da Exposição-Feira Agropecuária, onde há, além de completa estrutura da exposição de animais, feita por criadores locais, excelentes instalações para bares, stand de divulgação e locais para shows.
A produção artesanal do Estado exposta na Casa do Artesão, situada no complexo beira-rio e a Casa do Índio, também são excelentes opções.
Outro ponto turístico que chama a atenção dos visitantes é a área de preservação ambiental do Curiaú.
A vila era habitada predominantemente por descendentes de escravos trazidos para o Amapá para construir a Fortaleza de São José, mas que escolheram aquele local como refúgio. Lá fincaram raízes e conquistaram sua liberdade.
Dentre as peculiaridades amapaenses está também a Escola-Bosque, construída na comunidade do Bailique (uma ilha a aproximadamente 300km da capital, Macapá). O motivo da construção é o atendimento da população ribeirinha. Além da educação formal, os educandos contam com as disciplinas de: engenharia de pesca artesanal, literatura e linguagem das etnias, arqueologia, mineralogia e informática, no seu currículo escolar. Na Escola-Bosque, também está sendo construído um hotel-escola, onde serão ministradas disciplinas ligadas à área de ecoturismo.
2.1.5. Outros Pontos Turísticos
a) Quebra-mar:
O local, como o próprio nome sugere, refere-se a uma construção feita às margens do rio Amazonas, visando evitar que as fortes ondas provocassem a erosão do solo. É bastante utilizado para shows, comícios e encenação teatral. Ás suas proximidades, precisamente ao lado da Fortaleza de São José, é encenada, desde o mês de abril de 1994 (na época da Quaresma), a peça religiosa Uma Cruz para Jesus, com grande sucesso de público.
Às adjacências do Quebra-mar está a praça Isaac Zagury, ladeada pelo trapiche Eliézer Levy.
b) Marco Zero do Equador: o ponto turístico Marco Zero do Equador foi inaugurado em julho de 1987 e dispõe de um moderno prédio arquitetônico, projetado para funcionar com serviços de restaurante, salão de recepções, bar, galeria de arte e loja de artesanato.
O monumento do Marco Zero do Equador fica a 2 km do centro da cidade de Macapá, única no Brasil a ser cortada pela linha do Equador.
Quem visita este local, pode dispor do privilégio de pisar, ao mesmo tempo nos dois hemisférios e ainda, apreciar as belezas da cidade. Um cenário bonito e curioso pode ser visto no amplo terraço do monumento, através do obelisco, de onde se pode observar o equinócio, momento no qual ocorre o perfeito alinhamento do centro da Terra com o Sol, o que possibilita perfeita contemplação do sol. Neste instante, registra-se uma igual duração do dia e da noite. Somente a cada dois anos acontece este fenômeno. No dia 21 de março, ocorre o chamado “vernal ou equinócio de primavera”, quando o sol passa do hemisfério sul para o hemisfério norte, marcando o início da primavera e no dia 23 de setembro, o chamado “equinócio de outono”, ocasião que o sol passa do hemisfério norte para o hemisfério sul, definindo, portanto, o início do outono.
c) Estádio Zerão: este estádio, construído nas adjacências do Marco Zero, não poderia receber outro nome. À primeira vista, pode-se pensar que se trata de um estádio comum, mas o que chama a atenção para sua construção é que a linha que divide os dois campos de jogo foi traçada exatamente obedecendo à linha do Marco Zero do Equador, o que divide o campo, também, imaginariamente em dois hemisférios.
Além do campo de futebol, o estádio possui um lance de arquibancadas, vestiário, área de estacionamento interna e externa, locais para bares e salas para funcionamento de entidades esportivas.
Faz parte também do complexo turístico Marco Zero do Equador, além do monumento principal e do Estádio, uma pista que é comumente utilizada para a prática de aeromodelismo.
d) Intendência: trata-se de uma construção do final do século XIX, precisamente de 1895, edificada na administração do intendente Coriolano Jucá. O prédio foi construído para funcionar como Intendência de Macapá. De estilo arquitetônico neoclássico, teve importância singular para o Amapá, tanto durante o período do Império quanto durante a Independência.
Em 1932 o local foi reformado e passou a abrigar órgãos públicos do governo local: Prefeitura Municipal, Secretaria de Obras Públicas, Secretaria de Segurança Pública e Defensoria Pública. Atualmente funciona como Museu (Museu Histórico do Amapá “Joaquim Caetano da Silva”).
Pelo seu valor artístico e arquitetônico, foi considerado patrimônio histórico do Estado, pois é o único nesse estilo que ainda desafia o tempo. Seu acervo é composto de peças arqueológicas de cerâmica, além de peças históricas e indígenas, reavivando na memória dos amapaenses e freqüentadores, fatos inesquecíveis da pré-história e história do Amapá.
e) Pedra do Guindaste: - A Pedra do Guindaste, imersa no rio Amazonas, posiciona-se de frente para a cidade de Macapá, ao lado da Fortaleza de São José e do trapiche Eliézer Levy, onde foi esculpida uma imagem de São José, padroeiro de Macapá, abençoando a cidade. A obra foi idealizada pelo português Antônio Ferreira da Costa.
No século passado, servia de alvo aos exercícios de tiro dos soldados, ao lado norte da Fortaleza de São José. Em torno dela criaram-se muitas lendas, oriundas da cultura cabocla. Uma delas, contada pelos moradores da antiga rua da Praia e Igarapé das Mulheres, afirma haver existido na pedra, uma cobra grande, com dimensões incalculáveis, que “na maré da reponta”, ou seja, quando a água do rio não está cheia e nem na vazante, a cobra emerge para tomar água e por causa disto, o rio não consegue cobrir a pedra. Mas, se porventura, alguma autoridade tiver a infeliz idéia de mandar retirar a pedra do rio Amazonas, as águas subirão tanto que Macapá inteira inundará.
f) Fortaleza de São José de Macapá: situa-se à margem esquerda da foz do rio Amazonas, em frente à cidade de Macapá, capital do Estado do Amapá.
A construção desse forte foi idealizada no reinado de D. José I (1750-1777), o qual, junto com seu ministro, o marquês de Pombal (um verdadeiro representante do despotismo esclarecido), determinaram sua construção. A obra foi iniciada em 29 de janeiro de 1764.
Na presença do governador do Estado do Grão-Pará e Maranhão, Ataíde Teive, foi lançada a pedra fundamental da Fortaleza, que se caracterizou por um complexo fortificado, composto de um núcleo e outros elementos de reforço à defesa, posicionando externamente a muralha.
A edificação consumiu dezoito anos de trabalho. Foi construída por mão-de-obra livre, representada pela corporação do exército, capatazes, engenheiros, mestres de ofício; pela mão de obra compulsória (escrava), na sua maior parte índios, capturados oficialmente na região, utilizados para transportar pedras em canoas para o local onde se estava construindo o forte e de negros africanos, comprados pelo senado da câmara da Capitania do Grão-Pará e Maranhão.
Os obstáculos eram inúmeros e alguns, até, incontornáveis. Diversos acontecimentos motivaram o adiamento da construção. Dentre eles, as intempéries e as doenças tropicais. O engenheiro Henrique Galúcio, mentor da construção do forte, foi picado pelo mosquito da malária, vindo a falecer em 1769. Deixou, contudo, parte da obra concluída. O comando da construção ficou temporariamente sob a responsabilidade do capitão Henrique João Wilckens, até que chegasse em Macapá o sargento-mor e engenheiro João Geraldo Granfilts.
A Fortaleza, de acordo com a planta esboçada por Henrique Galúcio, possuía quatro baluartes, os quais denominou: Nossa Senhora da Conceição, São José, São Pedro e Madre de Deus. A artilharia deveria contar com 107 peças. O forte foi inaugurado a 19 de março de 1782 (dia de São José).
Passados 18 anos da colocação da pedra fundamental, a fortaleza foi solenemente inaugurada, sem que se tivesse concluído diversas obras externas. São José de Macapá era uma realidade como monumento militar. Possuía o mais belo forte do Brasil no período colonial.
Após a morte de D. José I (1777), sua filha D. Maria I, herdeira do trono, determina a suspensão dos recursos, o que faz com que a construção seja paralisada. Ainda assim, pequenos serviços foram realizados até a sua inauguração.
Após a Independência do Brasil em 1822; com a cessação dos governos imperiais e os primeiros anos de República se ensaiando, essa obra ficou relegada a segundo plano, caindo no esquecimento e ficando completamente abandonada. Em torno e dentro do forte, o matagal crescia, sem que se tomasse providências. Somente com a criação do Território Federal do Amapá, em 1943, Janary Gentil Nunes, seu primeiro governador, dá a devida importância a esta obra de significativa contribuição à história local. Transforma a fortaleza em quartel da guarda territorial, chamando a atenção da população, que se avolumava na frente do forte para ver uma guarnição da guarda territorial.
Tempos depois, com o intuito de resgatar e manter o forte e, assim, o passado histórico do Amapá, o Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN, através do processo nº 423, de 23 de março de 1950, o inscreve em seu livro de Tombo, considerando-o patrimônio da humanidade. Deste modo, o forte, a partir daquela data, não poderá ser destruído, sob qualquer pretexto.
No período de 1947 a 1953, Janary Nunes ordena os serviços de recuperação de parte da Fortaleza, entre os quais o da capela e do altar. A primeira imagem de São José é então transferida para lá.
Na gestão de Arthur de Azevedo Henning, o forte recebe novas restaurações (1978). Novos serviços de recuperação foram efetuados em 1982, coordenados por uma equipe do sul do país, por ocasião da comemoração do bicentenário da Fortaleza de São José de Macapá.
Os trabalhos de preservação foram retomados no governo de Anníbal Barcellos, o qual, além da execução da restauração, tratava da manutenção e limpeza do monumento.
No atual governo (João Alberto Capiberibe), percebe-se também uma preocupação com a preservação do Forte. Providenciou-se a restauração de todo o monumento, transformando-o em um excelente pólo à indústria do turismo. Com este novo projeto, estimulou-se a permanência do público no local, que conta, atualmente, com lanchonete, auditório, sala de exposição, biblioteca, sala de leitura, igreja, teatro e galeria de arte.
A construção da Fortaleza de São José tinha como objetivo:
• impedir a entrada de navios estrangeiros (invasores);
• defender a vila abrigando, no seu interior, os moradores da vila de São José de Macapá, caso sofressem ameaça de assédio;
• servir como base para o reabastecimento de exércitos aliados;
• refugiar exércitos, no caso de baterem em retirada;
• servir como ponto de contra-ataque do inimigo;
• ser elo de comunicação e vigilância entre as demais fortificações espalhadas pelo interior e fronteiras;
• assegurar a exploração dos produtos regionais (drogas do sertão) e assim o seu exclusivo comércio com as metrópoles;
• manter a ordem soberana de Portugal na região.
Do período colonial ao Brasil-império, a Fortaleza de São José de Macapá foi ocupada e utilizada por pelotões da guarda portuguesa e imperial, visando atender interesses estratégicos. Porém, com o advento da Proclamação da República, em 1889, e a participação do Brasil na economia de mercado internacional, a Fortaleza gradativamente perde sua função principal e entra num processo de abandono, situação esta que permitiu o saque de vários materiais e artefatos de guerra que faziam parte do seu acervo: canhões, pedras e tijolos são alguns exemplos.
Em meados do século XX, após a criação do Território Federal do Amapá, em 1943, a Fortaleza foi ocupada pelo comando da guarda territorial. Abrigou ainda famílias de imigrantes e detentos da justiça; funcionou como oficina de imprensa oficial; museu, abrigo da banda musical da Polícia Militar, etc.
Por último, foi administrada pelo Departamento de Cultura da Secretaria de Estado da Educação, Cultura e Esporte.
A Fortaleza de São José de Macapá, cujo formato lembra uma estrela de quatro pontas, é considerada o mais belo, imponente e sólido monumento militar do Brasil.
g) Igreja de São José: as constantes tentativas de colonização de Macapá, contaram, inicialmente, com a presença de religiosos da Companhia de Jesus, mais conhecidos como jesuítas. Estes, prioritariamente, lutaram pela formação de núcleos missionários de catequese. Os missionários da Companhia de Jesus conseguiram implantar, aqui na região setentrional, muitos focos de religiosidade. Assim nasceu a devoção aos santos, através de teatros, festas e danças em várias localidades do Estado.
Mendonça Furtado, governador do Estado do Grão-Pará e Maranhão, já convencia o monarca D. José I da necessidade de se construir uma igreja para nela celebrar o santo sacrifício da missa e ministrar o sacramento aos moradores.
Estabelecida a Vila de São José de Macapá, ao mesmo tempo foi criada a paróquia com o nome do padroeiro São José, escolhido pelos fundadores da vila. Esta paróquia foi criada pelo terceiro bispo do Grão-Pará, Frei D. Miguel de Bulhões. Sua pedra fundamental foi lançada pelo primeiro vigário da paróquia, Padre Ângelo de Morais.
A Igreja de São José, o monumento mais antigo do Município de Macapá, hoje é a igreja matriz. O engenheiro responsável por esta construção foi o alemão Gaspar João Geraldo de Granfelts, autor da planta. Pronto o projeto, o governador do Estado do Grão-Pará e Maranhão, Bernardo Mello e Costa, ordenou o início das obras, imediatamente.
A urgência fazia-se necessária por causa das possíveis invasões dos franceses residentes em Caiena, inimigos fronteiriços e cobiçosos das terras amapaenses.
A Igreja de São José foi inaugurada em 6 de março de 1761 e sua construção é um exemplo do estilo de arquitetura que os jesuítas trouxeram da Europa, ainda no século XVI. Algumas modificações foram realizadas na estrutura do prédio, após a chegada dos padres do PIME (Pontifício Instituto das Missões Estrangeiras). Este monumento inaugural do patrimônio histórico de Macapá, com a presença do Frei Miguel Bulhões, membro da Companhia de Jesus – ordem religiosa que dera início catequese na Amazônia – foi elevado à categoria de Diocese de Macapá em 06 de março de 1761.
Todo os anos, no dia 19 de março é realizada nessa Igreja a maior festa religiosa da cidade, a festa de São José de Macapá.
h) Fazendinha: apesar do nome, pouco ou nada tem das características de uma fazenda, fica a 16 km da capital. Não obstante haver crescido em termos populacionais e, ainda, modificado bastante sua estrutura, adquirindo feições mais urbanas, ainda não possui autonomia econômica nem administrativa, sendo considerada Distrito do Município de Macapá.
De encontro a este pensamento, coexistem as inúmeras tentativas de alguns políticos do local, os quais, se dizendo portadores dos anseios da população, vêm lutando por sua emancipação.
O que chama a atenção na localidade é, de fato, o Balneário, o qual conta com estrutura moderna, oferecendo aos visitantes, em seus bares e restaurantes, comidas típicas da região.
Fazendinha é bastante freqüentada durante o mês de julho, por ocasião do Macapá Verão, evento que proporciona, além da diversão ao banhista, informações sobre a limpeza e conservação do balneário, orientações à saúde, operações de salvamento etc.
É também em Fazendinha que fica o Parque de Exposição, onde é realizada, no mês de setembro, a Feira Agropecuária estadual.
2.1.6. Fortificações Históricas
As redes de fortificações de Macapá, melhor dizendo, do Amapá, eram, na sua maioria, constituídas por simples postos ou pequenos redutos, os quais, devido à fragilidade de sua construção, quase ruíram por completo, restando somente as edificações mais sólidas. Dentre estas figura a Fortaleza de São José de Macapá, considerada o melhor, maior e mais importante monumento histórico de Macapá, do Brasil e da América do Sul.
As fortificações mais importantes são:
- Forte de Cumaú
- Forte de Santo Antonio de Macapá
- Vigia do Curiaú
a) Forte de Cumaú – depois que os portugueses se apossaram dos fortes de Torrego, nos rios Manacapuru e Felipe entre os rios Matapi e Manacapuru (hoje rio Vila Nova), um reduto mais seguro e resistente, os ingleses enviados oficialmente à Amazônia, alojaram-se na região de Macapá, onde fundaram o forte de Cumaú ou Massapá, com a ajuda dos índios Nhengaybos, Aruan e Tucuju.
Em 10 de março de 1631, aportou em Santa Maria de Belém, Feliciano Coelho de Carvalho, nomeado ao cargo de vice-governador do Maranhão e Grão-Pará, com a missão de continuar lutando contra os invasores no grande vale amazônico. Em 1632, chefiava uma expedição guerreira, cuja finalidade era expulsar os invasores ingleses e parar nas imediações do Forte de Cumaú. Deu ordens aos capitães Ayres Chichorro e Pedro Baião de Abreu. Ergue-se um lugar estratégico, uma trincheira para iniciarem os ataques ao aquartelamento dos súditos de Carlos I, da dinastia dos Studart.
Na noite de 09 de julho, o capitão Pedro Baião, acompanhado de seus soldados e de cinco mil índios, apoderou-se do Forte de Cumaú, onde os ingleses que haviam resistido à ofensiva portuguesa foram mortos e aprisionados.
O comandante da expedição Roger Frey, não estava presente no combate, porque foi ao encontro de uma nau de socorro, bastante equipada com material bélico. Feliciano Coelho, ciente da atitude de Roger Frey, ordenou ao capitão, Ayres Chichorro, que fosse ao encontro do navio inglês. Era o dia 14 de julho de 1632. O capitão tratou de executar as ordens do seu comandante, mas o fez com o auxilio dos índios flecheiros (Tucuju), os quais, de suas canoas, abordaram os navios ingleses, todavia, foram vencidos pelos lusitanos.
Ayres Chichorro e Roger Frey, confrontaram-se no tombadilho da nau inglesa e de espada em punho, iniciaram o duelo. Ao final, o comandante súdito de Carlos I é derrotado, sucumbido pela espada mortal do português.
A vitória portuguesa já era previsível: o forte de Cumaú foi arrasado. Feliciano Coelho retorna, então, para Belém, no navio tomado por Roger Frey, com a artilharia e os despojos da fortificação vencida. Desta forma, os ingleses perderam a sua última batalha nas terras do Amapá.
Atualmente este forte pertence ao Município de Santana.
b) Forte de Santo Antônio de Macapá – a presença francesa, ou melhor, a presença dos guianos (membros de uma tribo indígena), despertou nos portugueses a idéia de construir uma fortificação para a defesa da região de Macapá, e o rei de Portugal, D. Pedro I (1683/1706), através de carta-régia de 21 de dezembro de 1666, facultou ao governador Gomes Freire de Andrade, a escolha de um local para construir a respectiva fortaleza, então em projeto.
No ano de 1688, o governador do Maranhão e Grão-Pará, capitão Antônio de Albuquerque Coelho de Carvalho (filho de Feliciano Coelho), adotando as instruções do governador geral do Brasil, mandou levantar essa fortificação, a qual recebeu o nome de Santo Antônio de Macapá.
Em 31 de março de 1697, portanto 9 anos após a fundação do forte, o marquês Deferroles seguindo determinação do governador de Caiena, e, acima de tudo, ordens do rei da França (Luiz XIV), desrespeita um acordo de paz e expulsa os militares lusitanos da margem esquerda do rio Amazonas. Tudo isto sem muita dificuldade, pois, para se apossar da Fortaleza em questão, não necessitou de nenhuma artilharia.
O forte localiza-se às proximidades da atual rodovia Salvador Diniz, que liga o Distrito de Fazendinha ao Porto de Santana, na embocadura do Igarapé da Fortaleza.
O governador do Maranhão e Grão-Pará, Antônio Albuquerque de Carvalho, que nesse momento achava-se inspecionando a praça de Gurupá. Sabedor da tomada desse forte, organizou, sob o comando de Francisco de Sousa Fundão, uma expedição militar constituída de 160 soldados e 150 índios flecheiros com destino a Macapá, seguida, mais tarde, de um minguado reforço, liderado por José Muniz de Mendonça. Vigiava a fortificação, uma guarnição de 43 homens, entre oficiais e soldados.
Em 28 de junho de 1697, os portugueses realizaram o primeiro ataque para a retomada da Fortaleza, mas foram rechaçados, à bala, pelos inimigos.
Francisco de Sousa Fundão, analisando o fracasso da primeira investida, pensou em retirar sua tropa. Entretanto, não teve a aquiescência de João Muniz, que considerava a idéia absurda, pois o propósito da expedição era tomar o forte, a qualquer custo.
Por causa da determinação de João Muniz, os portugueses recuperaram, em seguida, a Fortaleza de Santo Antônio de Macapá.
Deste modo, conforme previsto em lei, precisamente no Art. 1º do Tratado Provisional de 4 de março de 1700, sancionado pelos portugueses e franceses, a fortaleza deveria ser demolida. Conforme este acordo bilateral - pelo qual foi neutralizado o território com a Guiana Francesa –
ficou acertado que se deveria:
Desamparar e demolir, por el-Rei de Portugal, os fortes de Araguary e Cumaú e retirar a gente e tudo o mais que neles houver e as aldeias de índios que os acompanham e formarem, para o serviço e uso dos ditos fortes, e depois da ratificação do tratado provisional, achando-se mais alguns fortes pela margem do rio Amazonas , para o cabo do Norte e costa do mar até a foz do rio Oiapoque, se demolirão igualmente com os de Araguary e de Cumaú. (Reis, Arthur Cezar, 1993)
Apesar das determinações, atendendo pedido do governador do Pará, Fernando Carrilho, o forte de Santo Antônio de Macapá não foi demolido. Contudo, a fortaleza não recebeu a devida manutenção e pouco a pouco foi se transformando em ruína. Além do mais, pelo seu aspecto arquitetônico de pouca resistência, não oferecia segurança, no caso de nova invasão. Sua construção foi levantada por volta de 1763, mas sua planta de fortificação só ficou pronta 75 anos depois, quando se estudavam as fortificações de Macapá, por determinação do governador do Maranhão e Grão-Pará, Fernando da Costa de Ataíde Teive.
c) Vigia do Curiaú – ao norte da cidade de São José de Macapá, lança-se no rio Amazonas, um Igarapé, chamado nas cartas geográficas – desde os tempos coloniais – de rio Curiaú.
O governador do Grão-Pará capitão-general João de Abreu Castello Branco, autorizou a instauração de um destacamento militar em Macapá. Uma pequena unidade comandada pelo capitão Antonio Gonçalves, que havia enviado uma correspondência ao rei de Portugal D. João VI, propondo erguer, por sua conta, uma fortificação na foz do Curiaú, dizendo estar interessado apenas em ser o seu comandante, com posto vitalício. A proposta foi aceita pelo governador do Grão-Pará, mas o monarca português manifestou-se contrário. Somente em 6 de março de 1761, o governador do Maranhão e Grão-Pará, Bernardo de Mello e Castro veio a Macapá para a benção da Igreja de São José de Macapá. Aproveitou a ocasião para autorizar a construção da fortaleza de São José de Macapá e que fosse construída, também, uma vigia à margem direita do Curiaú, na confluência com o rio Amazonas.
Foi construída uma residência para o corpo da guarda e uma guarita, a uma distância de 70 braços do rio, ou 150 metros de terra firme, em cima de um banco de lodo e areia, ligada a margem por uma ponte. Toda a obra foi executada em madeira.
A topografia do terreno dava condição de se avistar, da guarita, uma parte do Amazonas que não se podia ver da Fortaleza de São José de Macapá. Desse modo, era possível avistar e avisar o forte de São José de Macapá, quando da aproximação de qualquer navio inimigo. A comunicação era feita por terra entre o baluarte e a guarita. O contato também era realizado através de uma pequena montaria, cujo trânsito se dava via fluvial.
A guarita era comandada por um cabo de esquadra e soldados, os quais dispunham de alguns cavalos, em caso de aproximação de qualquer embarcação estranha. Havia um sentinela dia e noite, a quem competia avisar o cabo da guarita, quando avistasse a chegada de embarcação de grande porte. Durante o dia o aviso era levantar uma bandeira larga no mastro e, à noite, seriam soltos dois foguetes sucessivos. Os sinais deveriam ser repetidos até que o baluarte de Macapá compreendesse o aviso, levantando também sua bandeira ou, disparando um tiro de canhão.
A Vigia do Curiaú permaneceu firme por muitos anos, pois havia sempre o cuidado de se efetuar reparos, para quando houvesse necessidade de utilizá-la. Somente muito tempo depois, em conseqüência do abandono das obras do burgo de Macapá, a guarita do Curiaú perdeu sua utilidade e, pouco a pouco, a erosão se encarregou de destruí-la completamente.
História
Antes do chamado Descobrimento do Brasil, em 1499, Américo Vespúcio, participando da expedição de Alonso de Hojeda – sob ordens dos reis católicos da Espanha Fernando e Isabel (Castela e Aragão) – percorreu o litoral amapaense, conforme carta-documento escrita por esse navegador, na qual narra o momento em que sua expedição atravessa a linha do equador, passando pelas ilhas da Caviana, dos Porcos e do Pará, em frente ao Município de Macapá, hoje capital do Estado do Amapá. Portanto, muito antes de ser oficializado o nome Macapá, Américo Vespúcio já havia passado em sua frente, através do rio Amazonas.
A história da cidade de São José de Macapá, remonta aos idos coloniais e está relacionada à defesa e fortificação das fronteiras do Brasil, bem como à preocupação em garantir a fixação do homem em terras brasileiras, assegurando, assim, a soberania de Portugal nas terras conquistadas.
No extremo norte do Brasil formou-se o primeiro núcleo de colonização (1738), após vários conflitos com os franceses de Caiena. Este núcleo pertencia a então província do Maranhão e Grão-Pará, cujo governador (João de Abreu castelo Branco) enviou destacamento militar para o local onde hoje se encontra a Fortaleza de São José de Macapá. Por falta de recursos financeiros, conservou o destacamento, sem, no entanto, procurar desenvolvê-lo. Mas alertou ao rei de Portugal sobre a urgência de implementação de povoamento e fortificação da foz do Amazonas. Francisco Pedro Gurjão, seu sucessor, reiterou essas reivindicações. Apesar disto, o único mérito de D. João V, foi o de haver em 1748, oficialmente denominado a região de Província dos Tucuju ou Tucujulândia, mantendo, portanto, inalterada sua condiçõe administrativa.
No ano de 1751, o governador do Grão-Pará e Maranhão, Francisco Xavier de Mendonça Furtado, irmão do Marquês de Pombal – ministro de D. José I, continuou a colonização, trazendo algumas famílias (colonos) vindos das ilhas de Açores, com o objetivo de iniciar uma pequena povoação e construir barracos para servirem de alojamento aos soldados que viriam para cá. O povoado rapidamente progrediu, mas a insalubridade do local vem a ser um grave problema para os colonos. Em 1752 grassa no povoado uma epidemia de cólera. A notícia chegou à Belém em 7 de março daquele mesmo ano. Inesperadamente, Mendonça Furtado aporta na povoação, trazendo, além de medicamentos, o único médico que havia na capital e consegue controlar a moléstia.
Constituem as origens do Amapá, portanto, esses colonos degredados de Portugal (bandidos, prostitutas, presos políticos etc, negros africanos ou oriundos da Bahia e do Rio de Janeiro, além dos índios que já habitavam o local). Em 1761 inaugurava-se o mais antigo monumento da cidade de Macapá: a Igreja de São José de Macapá.
Foi o governador do Grão-Pará e Maranhão, Mendonça Furtado que elevou Macapá, antes povoado, à categoria de Vila de São José de Macapá, em 04 de fevereiro de 1758, na presença do povo tucujuense, precisamente na praça denominada de São Sebastião.
Era necessário fortificar a Vila. O então governador do Grão-Pará e Maranhão, Fernando da Costa Ataíde Teive, autorizou, em 1764, a construção da Fortaleza de São José de Macapá. Em 19 de março de 1782, foi inaugurada a maior fortificação construída pelos portugueses no Brasil. A vila foi prosperando e se expandindo em volta do forte.
Era o ano de 1808. A Família Real chegara ao Brasil. D. João VI determina a integração da Fortaleza de São José de Macapá à fronteira do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves.
Em 7 de janeiro de 1835 eclode a Cabanagem, revolta armada encabeçada basicamente por humildes habitantes ribeirinhos que moravam em cabanas, daí o nome do movimento.
A notícia da eclosão desta revolta chega à Macapá, através do sub-comandante da Fortaleza de São José, Francisco Pereira Brito, que se encontrava em Belém.
A cabanagem, sendo um movimento reformista composto por mestiços, não conseguiu a adesão dos macapaenses, descendentes de antigos colonos portugueses (não miscigenados). O temor da perda de privilégios os levou a formar uma frente de reação aos cabanos com o apoio das Vilas de Gurupá, Monte Alegre, Santarém e Cametá.
Providências militares foram tomadas para conter o avanço da região. Em Macapá, a defesa da Vila e seus domínios foi organizada pelo presidente da Câmara Municipal, Manoel Antônio Picanço, pelo Juiz de Direito Manoel Gonçalves de Azevedo, pelo Promotor Público Estevão José Picanço e pelos capitães Francisco Valente Barreto e José Joaquim Romão. Este último comandante da Fortaleza de São José.
A lua entre cabanos e tropas imperiais intensificava-se. Perseguidos no Baixo-Amazonas, os cabanos refugiaram-se no Município de Macapá, nas ilhas de Santana e Vieirinha, bem como na localidade de Furo de Beija-flor. Em 20 de dezembro de 1835, foram atacados por tropas macapaenses e mazaganenses e expulsos da região.
Somente no Segundo Reinado, através da lei provincial do Pará de nº 281, Macapá foi elevada à categoria de cidade, em 06 de setembro de 1856.
No governo de Getúlio Vargas, através do Decreto-lei nº 5812, de 13 de setembro de 1943, foi criado o Território Federal do Amapá. A partir desta data o Amapá passou a ter governo próprio, embora nomeado pelo Governo Federal.
Em 31 de maio de 1944, Macapá foi promovida à categoria de capital do Território, hoje Estado do Amapá.
Macapá é o Município mais importante do Estado do Amapá, pois configura a capital do Estado do Amapá. Além de ser a sede do governo e demais poderes que regem a administração, é o município mais estruturado, concentrando prédios de arquitetura moderna e monumentos históricos. Macapá é a única capital brasileira que está situada à margem esquerda do rio Amazonas e é cortada pela linha do equador.
A partir da transformação do Amapá em Estado, atendendo preceitos da Constituição de 1988, ocorreram substanciais mudanças em sua dinâmica espacial. O esgotamento das jazidas manganíferas, de fundamental importância para a economia do Estado, obrigou aos governos, tanto estaduais quanto federais, buscarem novas alternativas econômicas para o Amapá. O principal elemento dessa tomada de decisão foi a criação pelo Governo Federal, da área de livre comércio de Macapá e Santana em 1991.
Apesar da suspensão do Imposto de Importação (II) e do Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI) sobre as mercadorias estrangeiras, que se constitui em grande perda na arrecadação do Estado, o setor terciário ainda é um dos maiores alavancadores da economia estadual, além de propiciar vantagens também no campo social, pois gera empregos para centenas de pessoas.